As melhores opções para capitalizar as empresas em 2010 – e nos anos seguintes

Mercado de capitais

 

Ao ser desafiado pelos editores da Amanhã a escrever sobre as melhores opções de capitalização hoje e no futuro, inicialmente me pareceu uma tarefa que exigiria poderes mediúnicos que obviamente não possuo. Depois de me desfazer de vários rascunhos, me dei conta que as alternativas para capitalizar empresas são sempre as mesmas. O que muda é a disponibilidade desses recursos conforme os humores da economia e o momento que a empresa e seus donos estão vivendo.
Parece interessante abordar uma forma de capitalização até recentemente escassa em terras brasileiras: os fundos de participação ou, no jargão do mercado, fundos de private equity. Esses fundos, ressalvando alguns pioneiros, só passaram a fazer parte do nosso cenário empresarial nos últimos 10 anos. Atualmente são assunto de jornal quase que diariamente.
Empresas pequenas continuarão a se capitalizar com os que lhes são próximos, aos que os americanos chamam de 3 F (family, friends and fouls). Ao crescerem, ou terem projetos que possam encantar investidores profissionais, os fundos de capital semente e os angels passam a ser opções interessantes de capitalização.
Empresas médias encontrarão hoje um número grande de fundos buscando oportunidades de investir. Estimativas do CEPE- FGV indicam existir uns cem gestores somando mais de U$ 12 bilhões para serem investidos nos próximos anos. Isso não inclui o BNDESPar que teve seu caixa reforçado depois da crise de 2008 e os fundos de private equity, que ainda não aportaram no Brasil, mas já anunciaram sua intenção.
Empresas grandes têm o leque de oportunidades de capitalização ampliado. Além dos grandes fundos de private equity com apetite para compras vultosas: Advent, Carlyle, Gávea, GP e o recém chegado Warburg Pincus; o mercado permite a capitalização através de IPOs ou novos lançamentos para empresas que já são abertas. Um bom exemplo gaúcho é a Gerdau que há décadas emite novas ações no mercado para capitalizar seus projetos de crescimento.
É fato que o mercado para lançamento de ações sofreu com a crise iniciada em 2008, mas algumas iniciativas mostram que ele está voltando e pode ser bastante ativo a partir de 2010. Inicialmente acessível apenas a empresas muito grandes, mas com o Brasil mantendo-se na moda entre os investidores internacionais, empresas cada vez menores terão também acesso ao mercado de bolsa.
Contudo, não basta saber que existem investidores ávidos por empresas com projetos de crescimento acelerado. A questão está em definir quais as melhores opções de capitalização. Para isso, como num problema zen-budista, não há uma única resposta certa, ao mesmo tempo podem ser várias respostas ou mesmo nenhuma delas.  Como equacionamos isso? A solução zen-budista está em conhecer melhor a si mesmo e a essência do problema. Em termos empresariais isso é conhecer a empresa (e o empresário) e a natureza das fontes de capitalização.
Qual o perfil da empresa e seus sócios? Estão dispostos a repartir o poder, decidir em colegiado e serem transparentes sobre as ações realizadas? Nesse caso a capitalização através de um fundo de investimento ou mesmo pelo mercado de capitais servirá bem às necessidades da empresa. Em contrapartida, empresários com dificuldade em delegar, ouvir, informar estarão melhor com capitais resultantes do seu próprio lucro. Como cada decisão gera consequências, o mais associativo potencialmente crescerá mais e mais rápido; o outro terá mais liberdade, porém restrito ao tamanho das suas próprias pernas. Entre esses extremos há diversas possibilidades. A correta definição passa por um planejamento estratégico e um plano de negócios para não nos iludirmos com a empresa que temos nas mãos. Mesmo um psiquiatra pode ser útil ao fazer o empresário se conhecer de fato.
Depois de resolvida a questão socrática – conhece-te a ti mesmo, podemos começar a avaliar a natureza do capital. Quais as implicações de crescermos apenas com capitais próprios? Quais as com capitais de terceiros? Que tipo de terceiros? Surgem novamente várias perguntas a serem respondidas. Fora a decisão pelo capital próprio, é importante saber que o mercado de investimento no Brasil atingiu um grau de relativa maturidade. Existem investidores para os mais diversos negócios. Porém algumas tendências podem ser observadas: empresas maiores encontram investidores com mais facilidade. Assim como as que atuam em grandes mercados. Empresas de setores menos regulamentados também são mais atraentes.
Para aqueles empresários, que se conhecem e as suas empresas, seus limites e habilidades, os próximos anos podem ser os mais venturosos em décadas. Há muito não se via um afluxo de capitais tão intenso para o Brasil. Acredito que isso se deva ao País estar melhor hoje, mas principalmente por que os países concorrentes estão piores.

Um próspero 2010 e anos seguintes para todos nós.


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