O BNDES lucrou R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre, o melhor resultado da história dos bancos brasileiros. E não foi o único recorde do BNDES, que, em julho, emprestou R$ 6,5 bilhões, elevando a R$ 31,2 bilhões os empréstimos dos primeiros sete meses de 2007 e a R$ 60,9 bilhões os dos últimos 12 meses.
Os números confirmam a aceleração da indústria e o aumento dos investimentos na infra-estrutura - juntos, os dois setores representaram 86% do desembolso total. Sobretudo, os dados refletem a decisão política do BNDES de pôr o pé no acelerador. A projeção de empréstimos do ano passou de R$ 61 bilhões para R$ 65 bilhões.
Para obter resultados rápidos, o banco concentrou as operações nos clientes de grande porte - responsáveis por 76% dos empréstimos no mês passado -, nas pequenas e micro empresas e nas pessoas físicas. Também concentrou o crédito nas Regiões Sudeste e Sul, mais industrializadas, que oferecem resposta imediata à oferta e receberam 86% dos créditos em julho.
O número de operações com pessoas físicas atingiu 95,5 mil (101%, em 12 meses). No mês passado, foram emprestados R$ 465 milhões a 16,5 mil pessoas físicas e R$ 575 milhões a 6.710 micro e pequenas empresas. Disseminaram-se, assim, as linhas de custo módico.
Entre as operações de grande porte, destacou-se o crédito para a infra-estrutura. O valor das aprovações, que antecedem as liberações, cresceu 125% em 12 meses, chegando a R$ 35,9 bilhões. Tende a crescer, assim, o ritmo de liberações para o setor - que foram de R$ 10,7 bilhões entre janeiro e julho. O presidente do banco, Luciano Coutinho, acredita que está começando um novo ciclo de investimentos. Mas este dependerá do aumento da capacidade de gerar eletricidade.
Neste ano, o banco emprestou 58,5% a mais para os projetos de energia elétrica, mas o valor absoluto - R$ 2,3 bilhões - não é tão expressivo ante as necessidades do setor. O valor foi inferior, por exemplo, ao de um único segmento, a metalurgia, que recebeu quase R$ 2,7 bilhões.
Além do lucro, o BNDES - que tem a maior carteira de ações do País e poderá ser atingido pela queda das cotações - precisará levantar recursos no mercado de capitais e junto ao FAT para ampliar os empréstimos. Como admitiu Coutinho, para emprestar mais e atender à demanda “vamos ter de melhorar nosso funding” (financiamento) em 2008 e 2009. Será um teste para o BNDES, que emprestou pouco desde 2003.