O mercado de capitais está prestes a atravessar um novo momento de expansão. Até a primeira metade desta década, eram as grandes empresas (aquelas que faturam mais de R$ 400 milhões por ano) que lideravam a corrida pelo “dinheiro barato” da bolsa. Agora, começam a entrar no páreo também as companhias de médio porte (com faturamento anual de R$ 150 milhões a R$ 400 milhões). “Todas as grandes empresas que estavam preparadas para abrir o capital já abriram. Mesmo assim, ainda há um forte movimento de investidores interessados no Brasil – principalmente estrangeiros”, justifica Paulo de Tarso Vieira Barbosa, presidente da Proinvest Finanças Corporativas. A grande vantagem das médias é o potencial de crescimento – que anima aqueles investidores mais arrojados. “Em 2008, as empresas com faturamento entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões devem começar a explorar o mercado. Em 2009, já começaremos a ver companhias menores entrando no mercado”, analisa Barbosa.
A própria Bovespa está se preparando para receber as “menorzinhas” – por meio do programa “Bovespa Mais”. Trata-se de um mercado exclusivo para médias empresas – que aceita lotes de oferta primária menores e opera em um pregão separado. O “Bovespa Mais” será exclusivo para investidores mais poderosos, como family offices (em português, escritórios familiares) e fundos de investimento. “Esse mercado só não estreou, ainda, porque as atenções estão voltadas para o Novo Mercado”, pondera Barbosa. “As empresas devem se conscientizar que podem fazer um bom ‘estágio’ para depois atuar no mercado principal”, destaca Bandeira.
Não é para todos – Deve-se ressaltar, porém, que nem sempre vale a pena seguir o “caminho do IPO” (sigla em inglês para “Oferta Pública Inicial”, a operação que dá a largada na negociação das ações de determinada companhia). Barbosa, da Proinvest, lembra que, muitas vezes, é melhor procurar financiamentos de longo prazo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Banco Mundial. “Os que buscam capital de giro, dinheiro para aquisições e liquidez para os sócios são candidatos ao IPO”, acredita ele. (Fernanda Arechavaleta)
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