Ainda há uma falta de preparo das empresas brasileiras para o acesso às linhas de financiamento de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A avaliação é do sócio da Proinvest Consultores Associados, Paulo de Tarso Vieira Barbosa.
Segundo o consultor, as companhias precisam ter um bom cadastro bancário e desenvolver projetos de viabilidade econômica, entre outros requisitos para concorrer aos empréstimos do banco, que oferecem taxas de juros reduzidas.
A pouca cultura empresarial no Brasil para a obtenção de empréstimos de longo prazo seria um dos motivos de o BNDES não ter utilizado todo o recurso que ofereceu em 2005. A instituição do governo tinha disponível R$ 60 bilhões, mas liberou cerca de R$ 54 bilhões.
Como forma de difundir as vantagens de se recorrer a esses tipos de financiamento, Barbosa participou de palestra, promovida pelo Sinproquim (Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos), para empresas do setor.
Durante o evento, o consultor falou sobre a necessidade, para se pleitear os recursos, de se montar um projeto econômico financeiro, que inclui um plano de investimentos e um business plan (plano de negócios) com previsão contábil para os próximos cinco anos.
No caso dos créditos de longo prazo, em geral, exige-se que parte do investimento (de 20% a 40%) seja com recursos próprios da empresa. Entre as condições verificadas estão demonstrar lucratividade e capacidade de pagamento e oferecer garantias reais. Algumas linhas novas do BNDES são mais flexíveis na exigência de garantias, ao aceitar, por exemplo, o aval dos sócios.
O banco do governo tem programas para financiar, por exemplo, a implantação, expansão e modernização de empreendimentos; a inovação e o desenvolvimento tecnológico; exportação de bens; a reestruturação empresarial e infraestrutura e investimentos sociais. No projeto, são passíveis de crédito pedidos para realização de obras, montagem de instalações, equipamentos nacionais, treinamento e capital de giro associado a outras solicitações.
Entre as novas linhas, há uma voltada à inovação, em que o banco entra com 100% dos recursos, cobra taxa de 6% ao ano, mais taxa de risco de até 1,8% ao ano. Tem prazo de até 12 anos para pagamento.
Outra é a Profarma, destinada às empresas farmacêuticas, para expansão da produção, compra de equipamentos, treinamento e adequação a normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Oferece participação de até 90%, tem prazo de 10 anos de pagamento e cobra TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) mais 1% a 2,5% ao ano.
DÉFICIT – Para o diretor do Sinproquim (sindicato do setor petroquímico), Nívio Machado Rigos, é importante difundir conhecimentos sobre as opções de financiamento, como forma de estimular os investimentos das empresas com dinheiro barato (ao invés do uso de recursos próprios ou empréstimos de curto prazo). O objetivo é a redução do déficit comercial (exportação menos importação) de US$ 8 bilhões no segmento.
Encontrar alternativas de fonte de recursos para concretizar o plano de investimento da empresa é o objetivo da controller da Makeni Chemicals, Sérgio Roque, que participou da atividade do sindicato. A companhia distribuidora de produtos químicos com sede em Diadema planeja investir R$ 5 milhões a R$ 7 milhões em um novo centro de logística e distribuição.
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